Início › Tipos e localizações › Endometriose no reto e sigmoide
Tipos e localizações · conteúdo informativo

Endometriose no reto e sigmoide

A endometriose pode atingir segmentos do intestino, especialmente o reto e o sigmoide. A localização ajuda a descrever a doença, mas não determina sozinha sintomas, gravidade ou tratamento.

Limite deste conteúdo: Este conteúdo é exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta, avaliação individual, diagnóstico ou tratamento realizado por profissional habilitado. Sintomas, sinais ou resultados de exames não permitem autodiagnóstico. A definição diagnóstica e a interpretação do conjunto clínico devem ser realizadas por profissional de saúde habilitado, dentro de sua competência.

A endometriose no reto e no sigmoide é uma forma de comprometimento intestinal que ocorre, com maior frequência, na porção do intestino localizada na parte posterior da pelve. O reto é o segmento final do intestino grosso, próximo ao canal anal; o sigmoide é a porção curva que faz a transição entre o cólon descendente e o reto.

Essa localização pode fazer parte do quadro de endometriose profunda, termo usado para descrever um fenótipo em que as lesões envolvem tecidos mais profundos da pelve. A expressão não deve ser entendida como uma fronteira biológica absoluta: a descrição detalhada da localização, da extensão e do possível comprometimento da parede intestinal costuma ser mais informativa do que um único rótulo ou estágio.

O que significa atingir o reto ou o sigmoide?

A endometriose é uma doença crônica inflamatória na qual tecido semelhante ao endométrio é encontrado fora da cavidade uterina. Sua ocorrência é predominantemente pélvica, embora também possa envolver outras regiões do abdome e, mais raramente, locais extrapélvicos.

Quando o intestino está envolvido, as lesões podem se situar em diferentes pontos do compartimento pélvico. O reto e o sigmoide estão entre os segmentos mais frequentemente descritos nesse contexto. O acometimento pode variar em extensão e profundidade, além de estar associado a aderências — faixas de tecido que podem alterar a mobilidade normal dos órgãos.

A localização anatômica, entretanto, não resume a experiência da pessoa. Estudos e diretrizes observam que a intensidade da dor não se correlaciona de modo confiável com a extensão da doença em todos os casos. Uma lesão intestinal pode estar associada a sintomas relevantes, mas também pode ser identificada em uma pessoa com poucas manifestações. Da mesma forma, sintomas intestinais não demonstram, por si só, que exista endometriose no reto ou no sigmoide.

Quais manifestações podem estar associadas?

A literatura descreve possíveis alterações relacionadas ao funcionamento intestinal e à dor pélvica. Entre as manifestações relatadas estão dor durante a evacuação, dor pélvica profunda, sensação de pressão na região posterior da pelve e mudanças no hábito intestinal, como períodos de constipação ou diarreia. Em algumas pessoas, esses sintomas podem apresentar relação temporal com a menstruação; em outras, podem ocorrer de forma menos previsível.

Também pode haver dor durante a relação sexual, sobretudo quando há comprometimento de estruturas do compartimento posterior da pelve. Essa manifestação não é exclusiva da endometriose intestinal e pode ter outras causas ginecológicas, musculares, urinárias ou gastrointestinais.

A presença, a ausência ou o padrão cíclico de um sintoma não permite localizar a doença com segurança. Dor ao evacuar, por exemplo, pode estar associada a endometriose, mas também a condições anorretais e intestinais diversas. Mudanças no funcionamento do intestino também são inespecíficas. Por isso, a interpretação depende do conjunto da história clínica, do exame físico e, quando indicado por profissional habilitado, de métodos de imagem.

Por que o reto e o sigmoide podem produzir sintomas intestinais?

O reto e o sigmoide participam do armazenamento e da eliminação das fezes. Alterações inflamatórias, aderências ou lesões próximas a essas estruturas podem estar associadas a dor e mudanças na dinâmica intestinal. A repercussão, porém, depende de fatores como localização exata, extensão, profundidade, relação com outros órgãos e presença de alterações coexistentes.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas com descrições anatômicas semelhantes podem apresentar manifestações diferentes. Também explica por que a intensidade da dor não deve ser usada como medida isolada da extensão da doença. Sistemas de classificação podem organizar achados anatômicos, mas não substituem a avaliação de sintomas, função intestinal, qualidade de vida e demais aspectos clínicos.

Sangramento nas fezes, dor abdominal persistente, alteração intestinal prolongada ou perda de peso não devem ser automaticamente atribuídos à endometriose. Esses sinais podem ter diferentes causas e merecem avaliação profissional, especialmente quando são novos, intensos ou progressivos.

Como a localização é investigada?

A avaliação costuma combinar informações clínicas, exame físico e exames de imagem. Para a suspeita de endometriose profunda na pelve, a ultrassonografia transvaginal especializada e a ressonância magnética podem contribuir para o mapeamento das lesões, das aderências e das estruturas envolvidas.

O termo “especializada” é relevante porque o desempenho da ultrassonografia depende do protocolo utilizado, do equipamento e da experiência da equipe. Consensos internacionais recomendam uma análise sistemática dos compartimentos pélvicos, incluindo regiões próximas ao reto e ao sigmoide, em vez de uma observação limitada a um único órgão.

A ressonância magnética também pode ajudar a descrever a distribuição anatômica da doença, particularmente quando é necessário complementar a avaliação ou planejar uma abordagem especializada. Nenhum exame de imagem garante a identificação de todas as formas de endometriose. Lesões superficiais, pequenas ou determinadas localizações podem não ser visualizadas, e um resultado sem alterações não exclui completamente a doença.

A escolha do método e a interpretação dos achados dependem da questão clínica que está sendo investigada. Um laudo que mencione uma alteração no reto ou no sigmoide também não determina, isoladamente, a causa do achado, sua importância funcional ou a necessidade de procedimento.

Classificações: por que os nomes e estágios podem variar?

A endometriose pode ser descrita, de modo didático, em três fenótipos clínico-anatômicos principais: superficial peritoneal, ovariana e profunda. Essa divisão facilita a comunicação, mas não representa todos os detalhes da doença nem significa que existam apenas três tipos.

Quando há comprometimento profundo, diferentes sistemas podem ser utilizados para registrar a localização e a extensão. A classificação revisada da American Society for Reproductive Medicine, conhecida como rASRM, é amplamente utilizada, mas apresenta limitações para representar a endometriose profunda e o envolvimento de órgãos. O sistema Enzian e versões baseadas em imagem foram desenvolvidos para descrever com mais precisão determinadas localizações anatômicas.

Esses sistemas não são equivalentes entre si e respondem a perguntas diferentes. Um estágio ou escore não deve ser interpretado automaticamente como medida da intensidade da dor, da infertilidade, da qualidade de vida ou do prognóstico individual. O registro da localização, da profundidade, das aderências e da relação com o intestino pode ser mais útil para compreender a anatomia do caso do que um número isolado.

A endometriose no reto ou sigmoide sempre exige cirurgia?

Não. A presença de uma lesão intestinal, por si só, não torna a cirurgia obrigatória. As diretrizes e recomendações disponíveis destacam que a avaliação deve considerar sintomas, função dos órgãos, extensão anatômica, possíveis riscos, desejo reprodutivo, tratamentos já realizados e preferências da pessoa.

Quando uma abordagem cirúrgica é considerada, o planejamento pode exigir avaliação detalhada da anatomia e participação de equipe multidisciplinar, com profissionais experientes em endometriose profunda e, quando necessário, em cirurgia colorretal. As decisões podem envolver discussão sobre benefícios esperados, possíveis complicações, impacto sobre a função intestinal e possibilidade de persistência ou recorrência da doença.

Existem diferentes estratégias cirúrgicas para lesões intestinais, e a literatura não sustenta uma técnica única para todas as situações. A escolha depende da profundidade e da extensão da lesão, do segmento envolvido, da presença de estreitamentos ou obstrução, da relação com outras estruturas e das características clínicas individuais. O tratamento não deve ser definido apenas pelo nome da localização anatômica.

O cuidado clínico também pode fazer parte da abordagem, conforme a avaliação profissional. Como a endometriose é uma condição crônica, o objetivo do cuidado pode envolver controle de sintomas, preservação ou recuperação da função, acompanhamento e consideração dos projetos reprodutivos. Não há base para prometer cura definitiva ou ausência de recorrência.

Quando a avaliação pode ser especialmente importante?

Uma avaliação profissional pode ser necessária quando há sintomas intestinais persistentes, progressivos ou associados a prejuízo significativo da rotina. Também merece atenção a possibilidade de comprometimento de outros órgãos pélvicos, como bexiga, ureteres, vagina ou ligamentos uterossacros, porque a endometriose profunda pode envolver mais de uma estrutura.

Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, incapacidade de eliminar fezes ou gases, sangramento importante, desmaio, febre ou piora rápida do estado geral são sinais gerais que podem exigir avaliação imediata. Eles não confirmam endometriose e podem estar relacionados a diversas condições, algumas potencialmente urgentes.

O que a literatura ainda não consegue responder bem?

A evidência sobre endometriose intestinal tem limitações. Parte das recomendações resulta de estudos observacionais, consensos de especialistas e experiências de centros de referência. Ainda há variação na forma de classificar as lesões, na escolha das técnicas cirúrgicas e na interpretação da relação entre anatomia, sintomas e fertilidade.

Também não existe uma correspondência perfeita entre uma imagem, um estágio e a experiência individual da doença. Exames podem contribuir para o planejamento, mas não eliminam a necessidade de correlação clínica. Além disso, pesquisas sobre desfechos de longo prazo, recorrência e impacto funcional ainda apresentam resultados heterogêneos.

Por isso, informações sobre “endometriose no reto e sigmoide” devem ser entendidas como uma descrição possível de localização, e não como uma conclusão sobre causa, gravidade ou conduta para uma pessoa específica.

Importante: Este conteúdo é exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta, avaliação individual, diagnóstico ou tratamento realizado por profissional habilitado. Sintomas, sinais ou resultados de exames não permitem autodiagnóstico. A definição diagnóstica e a interpretação do conjunto clínico devem ser realizadas por profissional de saúde habilitado, dentro de sua competência. Em caso de dúvida sobre sintomas, exames, medicamentos, alimentação, tratamento ou qualquer decisão relacionada à saúde, procure orientação de profissional habilitado.

Referências e fontes

Referências apresentadas em formato bibliográfico padronizado segundo convenções da ABNT para documentos online, com link para a fonte consultada e data de acesso.

  1. 1
    BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/e/pcdt-endometriose/view. Acesso em: 1 set. 2026.
  2. 2
    WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Endometriosis. 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/endometriosis. Acesso em: 1 set. 2026.
  3. 3
    EUROPEAN SOCIETY OF HUMAN REPRODUCTION AND EMBRYOLOGY (ESHRE). ESHRE guideline: endometriosis. 2022. Disponível em: https://www.eshre.eu/Guidelines-and-Legal/Guidelines/Endometriosis-guideline.aspx. Acesso em: 1 set. 2026.
  4. 4
    FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Endometriose e dor: aspectos fisiopatológicos e abordagem multidisciplinar. 2025. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FeminaZ06Z2025.pdf. Acesso em: 1 set. 2026.
  5. 5
    INTERNATIONAL DEEP ENDOMETRIOSIS ANALYSIS GROUP / ULTRASOUND IN OBSTETRICS & GYNECOLOGY. Systematic approach to sonographic evaluation of the pelvis in women with suspected endometriosis, including terms, definitions and measurements: a consensus opinion from the International Deep Endometriosis Analysis (IDEA) group. 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27349699/. Acesso em: 1 set. 2026.
  6. 6
    World Endometriosis Society / Human Reproduction. The revised Enzian classification: a comprehensive non-invasive and surgical description system for endometriosis. 2017. Disponível em: https://academic.oup.com/humrep/article/32/2/315/2631390. Acesso em: 1 set. 2026.
  7. 7
    EUROPEAN SOCIETY OF HUMAN REPRODUCTION AND EMBRYOLOGY (ESHRE). Recommendations for the surgical treatment of endometriosis Part 2: deep endometriosis. 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32322824/. Acesso em: 1 set. 2026.
  8. 8
    EUROPEAN SOCIETY OF HUMAN REPRODUCTION AND EMBRYOLOGY (ESHRE). Non-invasive imaging techniques for diagnosis of pelvic deep endometriosis and endometriosis classification systems: an International Consensus Statement. 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11366111/. Acesso em: 1 set. 2026.